Tá todo mundo tentando: uma pausa

Para ouvir lendo: um loop de três horas das Gnossiennes 1-5 do Erik Satie, para quem quer que esteja precisando disso (Youtube)

Não é que eu esteja sem ideas. Ando sem tempo mesmo. E sobrecarregada. Você não? Às vezes no meio do dia sinto o coração pulando pra fora do peito, a boca seca, o pensamento preso num loop de não deu e não vai dar. Acaba que sempre dá de alguma forma, ninguém morre se uma pendência não é cumprida. Mas a ansiedade não entende essas linhas finas, ela atua em modo de totalidade, quando vem é pra tomar conta mesmo. Algumas coisas têm me acalmado, como determinar longos períodos sem olhar redes sociais e manter uma agenda de compromissos. Uma agenda física, de papel mesmo, um caderninho. Parece bobo, mas é uma forma prática/gratuita de simplesmente colocar em linha reta o que antes parecia um monte de lã embolada. Hoje cedo aconteceu de novo: a cabeça cheia de nós, uma sensação de que não vai dar tempo e peloamordedeus não são nem oito da manhã, sabe? Botei tudo em quadradinhos coloridos organizados sobre um papel branco (metaforicamente) e, sim, deu tempo até de sentar um pouco na poltrona perto da janela com uma xícara de chá de camomila para ler um pouco e sair do ciclo vicioso. Só precisa organizar, o que muitas vezes significa abrir espaço, criar um caminho, tirar da frente aquilo que ou é inútil ou não é pra agora. É mais difícil do que parece e se você é como eu, uma pessoa sã presa no pesadelo que é o Brasil blsnrista, a chance é que você também está tendo dificuldade para respirar. Mas é preciso respirar. Vai lá na janela, fecha os olhos, respira devagar contando até dez, bebe água, imagina um abraço que você quer muito, quem sabe abrace seu próprio corpo um pouco, depois estique, alongue, boceje. E recomece. Isso também vai passar, mas até lá o melhor que a gente pode fazer é manter a sanidade.

Fernanda Montenegro lê Clarisse Lispector: um aviso de que somos livres

"Na praça quem dá milho aos pombos são as prostitutas e os vagabundos — filhos de Deus mais do que eu. Que vontade de fazer uma coisa errada. O erro é apaixonante. Vou pecar. Vou confessar uma coisa; às vezes, só por brincadeira, minto. Não sou nada do que vocês pensam. Mas respeito a veracidade: sou pura de pecados."

O repórter Leandro Barbosa, que cobre questões ambientais e direitos humanos, está de volta ao Pantanal para registrar as ameaças ao bioma e suas populações. Barbosa fez uma grande cobertura dos incêndios do Pantanal em 2020 e encontra uma situação ainda mais bravgrave em 2021, com os enormes incêndios na Bolívia e a votação do Marco Temporal em Brasília. Tudo está sendo feito de forma independente, com apoio via crowdfunding. Informações abaixo, ou doe diretamente pelo PIX: comunicacao.leo@gmail.com.

E o Salman Rushdie que agora tem um Substack? Chama Sea of Stories. Faz parte do plano do Substack de dominar esse nicho de newsletters autorais, um ramo importante dentro da tal creator economy. É pago, mas tem opção gratuita, caso vocie queira seguir as dicas de filmes, séries, livros e afins do célebre escritor de Bombaim. Para Rushdie, é uma forma de criar uma relação direta com seus leitores, além de publicar o que quiser, sem intermediários. Para a plataforma, é o endosso de um autor sério com reconhecimento literário.

Uma das coisas que mais senti falta durante períodos fechada em casa do último ano e meio foi ir em restaurantes. Que, convenhamos, é um dos poucos benefícios de morar em São Paulo. De uns meses pra cá, restaurante e museu tem sido meu escape, sempre com duas regras: espaço aberto e fora de horário de aglomeração, de preferência com reserva prévia pra garantir tranquilidade. E confesso que andei errando uma ou outra aposta, mas às vezes também acerto. O brunch dA Botanista, onde fui domingo passado, foi um desses acertos. Tem comidinhas gostosas para café da manhã, como cuscuz, sanduíches, ovos mexidos e o possível melhor pudim de leite (com um tantinho de laranja) que comi em muito tempo. Para cumprir protocolos corretos: chegue cedo e pegue mesa na boa área aberta que tem no fundo.