Tá todo mundo tentando: silenciar as notificações

Volto em 15/10, não me esqueçam.

Para ouvir lendo: “Same Old Song” do Four Tops (Youtube, Spotify). Atenção para o solo de trompete.


Essa semana no Twitter um amigo estava comentando como se sentia mais relaxado e feliz desde que tinha desativado todas as notificações do celular. Eu entendo e até pratico um pouco, sou bem madura nesse sentido, consigo encarar um date sem tirar o celular da bolsa, consigo delsigar da tela para ler um livro, consigo deixar o celular no modo avião fora do quarto todas as noites quando entro em modo “higiene do sono”. E, como todo mundo, eu deixo o celular no silencioso (às vezes). O tuíte em questão me fez pensar se eu deveria deixar permanentemente no silencioso, se isso configuraria uma vida melhor/mais tranquila, com menos pulos na cadeira a cada PLIM! ou VRRRRRR (vibrar também é notificar). Mas o que percebo na prática é que quando deixo o celular no modo silencioso minhas mãos acabam buscando ainda mais para a tela, porque infelizmente ainda não consigo mutar esse hábito (cof cof, vício, cof cof) de checar asnotificações. Isso não começou na pandemia, não começou por causa de um trabalho ou de relação importante, nem quando me tornei mãe, também não começou quando lançaram o WhatsApp – antes disso já tinha SMS. Mas em tempos mais recentes o hábito tomou, é claro, proporções exageradas. Como quase tudo o mais. Começando pelo fato de que qualquer app, seja rede social ou não, tem notificação para alguma coisa. Eu não deixo nenhuma notificação de rede social ativa nem no mobile e nem no laptop. Só as de mensagens. Mas daí tem a manutenção de notificação dos apps de delivery, calendário menstrual, review de livro, o app do SUS, sei lá, nunca acaba, sempre tem alguém tentando te lembrar de alguma coisa. Ou, pior, tentando separar você do seu suado dinheirinho umas cinco vezes por dia. Tenho a sensação de que por mais que eu desligue as notificações, elas continuam voltando, como aquela bolinha irritante de uma pessoa do passado que aparece nas visualizações dos Stories (outra invenção pós-moderna que não é de Deus) só para causar desconforto. Não é que atrapalha, exatamente. Se atrapalhasse você simplesmente bloqueava (ou no tempo presente: se incomoda, bloqueie). É que incomoda num incomodo leve, um incômodo rápido, um instante incômodo tão banal que parece nada. Pronto, passou. O problema é que no caso das notificações esse incômodo nos persegue várias vezes por dia, atrapalha e confunde. Às vezes você precisa manter as notificações do WhatsApp ligadas porque pode precisar responder rápido uma questão de trabalho, por exemplo. Ou você tem crianças pequenas e precisa estar disponível para as questões delas. Um/a parente doente, um grupo de amigas com quem você gosta de falar o dia todo, um crush novo que te deixa feliz quando aparece na tela. Existem mil motivos para querer manter as notificações ligadas, e apenas um para querer desligá-las todas: o desejo por paz. Acontece que às vezes a gente quer que algo interrompa esse silêncio e toda a tecnologia dos sistemas operacionais móveis ainda não foi suficiente para criar uma forma de garantir que apenas aquela notificação especial seja anunciada. Ou melhor, garantir que apenas aquela notificação especial aconteça. Tecnicamente, até dá. Na vida, nem tanto.

Paulicéia essa semana


O Paulicéia dessa semana desceu até a junção da República com Vila Buarque para ouvir o Facundo Guerra falar sobre seu projeto para o finado Love Story, histórico night club do Centro que funcionou por quase trinta anos e estava fechado desde 2018. A “casa de todas as casas” foi protagonista da entrevista de segunda e desse ensaio fotográfico. Ps: não, hoje não teve a edição extra das sextas. Desculpa.

Curso: A Arte das Histórias, com a Lívia Piccolo

Com o mote “como funcionam as séries, filmes e livros que amamos”, o curso da Lívia propõe uma análise da estrutura narrativa de séries, filmes e livros, mostrando temas, semelhanças e diferenças. Muito legal para quem quer entender como boas histórias funcionam, algo útil para escrever contos, pensar filmes, criar podcasts ou montar bons PPTs. São seis aulas, todas online, entre 21 de outubro e 25 de novembro. A inscrição é via Sympla, R$219,89 (incluindo taxas).

E sabe o quê mais?!

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Vai lá!

Estou vendo: “Nove Desconhecidos”


Uma pena que “Nove Desconhecidos” não tenha despertado tanta atenção das pessoas, porque tô obcecada e queria ter alguém com alguém falar sobre isso. Alguém além da minha psicóloga, claro, que já me ouviu mais de uma vez contando que me identifico com a personagem da Melissa McCarthy, não por acaso a escritora de coração partido.

A premissa é a seguinte: nove pessoas entram em uma semana de retiro em um retiro de cura física e espiritual, onde deverão ficar isolados do mundo exterior e em contato apenas uns com os outros ao longo de uma semana.


O tratamento envolve um boost de sistema imulonógico, toda uma reeducação alimentar, várias vitaminas, muita meditação, exercícios de confiança e (spoiler) algumas drogas. De imediato somos apresentados aos pacientes e seus traumas, à (reduzida) equipe do retiro e à figura meio fantasmagórica da Masha, a Nicole Kidman, que é a terapeuta-criadora e dona do rolê, o tipo de pessoa quedá abraço com axé e fala com você olhando BEM FUNDO NOS SEUS OLHOS. Cue: intrigas, tensões sexuais, uso de drogas e vários plot twists.


Assim como “Big Little Lies", “Nove Desconhecidos” é inspirado em livro da Liane Moriarty e tem a Nicole maravilhosa & canastrona como elemento central de um mistério californiano, com relações complexas e gente rica sofrendo em cenários bonitos. Mas aqui o gênero tá mais pro wellness horror (alô, flows!) do que pro thriller policial. Props para a Regina Hall como a ~surpreendente Carmel. Tem na Amazon Prime. O último episódio rolou ontem (23/09).

Um hiato


Comecei a Tá Todo Mundo Tentando em abril desse ano. Foi com aquele texto sobre voltar a fumar (dica: não volte). Não furei nem uma edição nesses seis meses, mas a verdade é que estou passando por um momento de acúmulo de funções e com muita dificuldade de escrever essa news a cada semana, mais por falta de tempo do que por falta de assunto. Então vou dar uma breve pausa para reorganizar as ideias e focar no Paulicéia, que está demandando muito e que entra em outra fase nas próximas semanas.

Volto em 15/10.

Por email.

Bem cedo.

Não me esquece.