Tá todo mundo tentando: enfim

tipo, é sobre isso, né?

🎶 para ouvir: “Meu Erro”, dos Paralamas, uma música perfeita (Spotify/Youtube)


Pensei em começar hoje listando as hecatombes brasileiras da semana. Espero que você saiba que os povos indígenas estão ocupando Brasília para lutar contra o Marco Temporal, medida que, se aprovada (a votação foi adiada para quarta-feirada semana que vem), irá definir que populações indígenas são são donas de terras que possam provar que ocupavam antes de 1988. É mais um absurdo dentro os muitos absurdos do Brasil bolsonarista, mas não é só isso. É gravíssimo pois define o futuro (ou a falta dele) de milhares de famílias indígenas do Brasil. E as história dessas populações, não preciso te explicar, não começa em 1988.

Enfim. Você também usa muito essa expressão, o “enfim”? Pode servir como começo ou final de pensamento. Acho que denota cansaço e/ou certo conformismo, mas às vezes é só um vício de linguagem, uma pausa. “Ah, isso que você fez me machucou demais. Você exagerou na reação, eu fiquei sem entender o que realmente aconteceu. Enfim. Só queria te dizer que ainda penso muito em você.” Algo desse jeito, mas o tema é livre. Como o “tipo” de uns anos atrás ou o “é sobre isso” circa 2019-20, o enfim está acontecendo.

Enfim. Várias coisas passaram pela minha cabeça como tema para essa semana, inclusive uma crônica fictícia sobre ir ali beber um drink rapidinho em espaço aberto na noite de sexta e acabar em situação de porão do Madame Satã na madrugada de domingo. Desisti porque achei banal. E considerei (mesmo, até comecei a rascunhar) mandar um compilado de melhores momentos (parágrafos? comentários? frases?) do TTMT até aqui, meio que celebrando essa 20ª edição. Mas é cedo. E essa era uma solução preguiçosa.

Enfim. Pensei também em escrever sobre mentira enquanto ferramenta de poder. Lembrei que mentira pode ser até algo positivo, como quando você fala para uma que ela vai gostar de criança espinafre. Ou inócuas, quase que uma manutenção da verdade, como dizer já está chamando saindo de casa quando está saindo do banho. Nem toda mentira é diabólica, como um chefe de estado recomendando cloroquina em rede nacional. Mas existe a mentira por omissão, que talvez seja o jeito mais manipulador e canalha de mentir. E mesmo uma mentira bem-intencionada tem consequências. Inclusive quando envolve mentir para si — tipo eu dizendo que é tudo bem fumar só de vez em quando.

Desisti de elaborar para além desse parágrafo porque aconteceu que o texto dessa semana estava ficando parecido demais com o texto da semana passada. Tipo, falando de uma coisa mas falando de outra. É sobre isso. Enfim.


📥 Paulicéia


Quando comecei o Paulicéia, lá no distante junho de 2021, a primeira pessoa que eu quis entrevistar foi a Josélia Aguiar, escritora, crítica literária e, até então, diretora da Biblioteca Mário de Andrade. Consegui isso na semana passada e a conversa com a Josélia foi pro ar na edição do Paulicéia de segunda-feira, dia 23/08. Na quarta, dia 25, falei mais um pouco sobre a Biblioteca, um dos melhores espaços da cidade e que sobreviveu à pandemia sob a gestão da Josélia. Ontem, quinta, amanheci com a notícia de que Josélia pediu para se desligar da institução, reflexo da saída do Alê Youssef (com quem também conversei em julho passado) da Secretaria Municipal de Cultura.


📧 Newsletter amiga: Outra Cozinha


O algoritmo do Twitter me recolou em contato com a ótima newsletter da Carla Soares que fala de comida mas não do jeito que você imagina. No post dessa semana, por exemplo, ela fala sobre máquina de costura, carta de tarot, Louise Bourgeois. A Outra Cozinha não tem periodicidade fixa e ficava em outro domínio mas acabou de mudar para o Revue.

“Nas coisas que fazemos no nosso cotidiano há várias oportunidades pra reconhecermos o que nos faz criar. Aliás, é por isso também que gosto tanto de olhar pra comida e pras relações que estabelecemos com ela. Comer é algo que vai ser necessário e repetido inúmeras vezes pela vida afora. Essa constância e o fato de que ela é uma experiência comum que dividimos faz com que o comer seja algo extraordinário pra produzir insights sobre nossas vivências. Ela ajuda a perceber certas coisas que só a repetição nos consegue fazer ver.”


Continue a ler (e assine).


🤑 Tip jar

A “Tá todo mundo tentando” é gratuita. Se você gosta do que escrevo aqui e quer incentivar 💰 agradeço demais. Você pode usar o Ko-Fi, ou minha chave Pix, que é gaia.passarelli@gmail.com. Só não esqueça de me avisar aqui no email, assim posso te agradecer diretamente.


⭐ Chegou agora?

Leia essas também:

🍂 Tá todo mundo tentando: tempo de poda

Tá todo mundo tentando: imaginar o final

🏢 Tá todo mundo tentando: fazer as pazes com São Paulo